domingo, 12 de maio de 2013

como pode?

     Soa estranho, esta manhã,
tudo o que sempre foi meu, como pode?
     Como pode que esse som lá fora,
os sons da vida, a voz de todo dia,
     pareça ficção científica?

     Como pode que esta palavra,
que já vi mil vezes e mil vezes disse,
     não signifique nada,
a não ser que o dia, a noite, a madrugada,
     a não ser que tudo não é nada disso?

     Pode que eu já não seja mais o mesmo.
Pode a luz, pode ser, pode céu e pode quanto.
     Pode tudo o que puder poder.
Só não pode ser tanto.

Paulo Leminski, Ais ou menos (Toda Poesia) 

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