terça-feira, 17 de setembro de 2013

A estética de Jed Martin

Portanto, a obra que ocupou os últimos anos da vida de Jed Martin pode ser vista - é a interpretação mais horizontal - como uma meditação nostálgica sobre o fim da era industrial na Europa e, mais genericamente, sobre o caráter perecível e transitório de toda indústria humana. Entretanto, essa interpretação é insuficiente para explicar o mal-estar que nos toma ao vermos aqueles patéticos bonequinhos tipo Playmobil, perdidos em meio a uma cidade futurista abstrata e imensa, cidade que, por sua vez, se corrói e se dissocia, depois parece aos poucos se esparramar pela imensidão vegetal que se estende ao infinito. E tampouco o sentimento de desolação que nos invade à medida que as representações dos seres humanos que acompanharam Jed Martin ao longo de sua vida terrena se desagregam sob o efeito das intempéries, depois se decompõem e dividem em retalhos, parecendo, nos últimos vídeos, constituírem o símbolo do aniquilamento generalizado da espécie humana. Elas afundam, parecem, por um instante, debater-se, antes de se verem sufocadas pelas camadas superpostas das plantas. Depois tudo se acalma, não há senão a relva agitada pelo vento. O triunfo da vegetação é total.

Michel Houellebecq, O Mapa e o Território


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