quinta-feira, 10 de abril de 2014

Badiou e o elogio do amo

Declarar o amor significa passar do evento-encontro para o começo de uma construção de verdade. É fixar o acaso do encontro na forma de um começo. E o que começa a partir daí não raro dura tanto tempo, é tão carregado de novidade e experiência de mundo, que, retrospectivamente, não parece nem um pouco contingente e casual, como no princípio, mas praticamente uma necessidade. Assim o acaso é fixado: a absoluta contingência do encontro com alguém que eu não conhecia passa a assumir os ares de um destino. A declaração de amor é a passagem do acaso para o destino, e é por isso que ela é tão perigosa, tão carregada de uma espécie de terrível nervosismo. A declaração de amor, aliás, não acontece necessariamente uma única vez. Ela pode ser longa, difusa, confusa, complicada, declarada e redeclarada, e fadada a ser redeclarada. É o momento em que o acaso se fixa.O momento em que dizemos: vou declarar ao outro o que aconteceu, o encontro, os episódios desse encontro. Vou declarar que aconteceu aqui, pelo menos para mim, algo que me compromete. É isto: eu te amo.

2 comentários:

  1. Nessas de navegar sem rumo pela internet, acabei chegando aqui no teu blogue. Gostei do que li por aqui. Um abraço, Bruno!

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  2. Oi, Ulisses, Valeu! Seu blog é muito bom.
    Abraço

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