sábado, 8 de março de 2014

A poesia segundo Derrida

 o poema como ditado, repetição, o que se "aprende de cor" ou "fotografia da festa em luto"

"Chamo poema aquuilo que ensina o coração, que inventa o coração, enfim aquilo que a palavra coração parece querer dizer e que na minha língua me parece difícil distinguir da palavra coração.

O ouriço. Ele se cega. Enrolado em bola, eriçado em espinhos, vulnerável e perigoso, calculista e inadaptado (pondo-se em bola, sentindo o perigo na estrada, ele expõe-se ao acidente). Não há poema sem acidente, não há poema que não se abra como uma ferida, mas que não abra ferida também.

O poema cai, benção, vinda do outro.

De agora em diante você chamará poema uma certa paixão da marca singular, da assinatura que repete sua dispersão, a cada vez, além do logos, ahumana, dificilmente doméstica, nem mesmo reapropriável na família do sujeito: um animal convertido enrolado em bola, voltado para o outro e para si, uma coisa em suma modesta, discreta, próxima da terra, a humildade a que você dá um sobrenome, transportando-se com isso ao nome, um ouriço catacrético, todas as flechas para fora, quando esse cego sem idade ouve mas não vê a morte vir".

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